Segunda-feira, Novembro 09, 2009

and you search your heart

Estranho lidar com esse vazio: vontade nenhuma de coisa alguma. Apenas dançar, cantar e pular sem ser incomodada, sem incomodar. Estudar as minhas coisas, ler os meus livros, ouvir as minhas músicas. Me tranquilizar com as minhas ferramentas. Não ouvir e não falar com ninguém que só seja capaz de entender o óbvio. Quero o além, o maior, quero a cabeça pensando, quero sentir que existe uma troca maior e real, quero perder horas na mesa do mesmo bar pela incapacidade mútua de dizer: tchau.

Queria sair de São Paulo e rodar o país, revirar os segredos dos quatro cantos de cada cidade e me encontrar em cada um dos que cruzarem pelo caminho. Queria ir até o aeroporto sem destino, queria não me irritar com avião. Mas, meu ouvido dói, o nariz arde com o ar condicionado e eu gosto da (falsa) estabilidade do chão.

A vida inteira feita de pequenas coincidências. Me desfaz, se refaz, entende que eu não conheço outro jeito de ser eu, que preciso sempre procurar mais fundo em mim, me revelar, me descobrir, me conhecer, me representar. Me deixa falar uma besteira qualquer enquanto acredita que todos os outros são iguais e eu sou diferente. Não se envergonhe se eu chorar no meio de um filme bobo ou se fizer uma piada sobre algo sério. Não me leve a mal se não ligar, se sumir e voltar com um sorriso dizendo que nada aconteceu. Desculpa, esse é só um jeito maluco de ser eu.


ps. o título é uma música do cd da Scarlett Johansson (*.*) com o Peter Yorn.

Sábado, Novembro 07, 2009




'and i forget just why i taste
oh yeah, I guess it makes me smile'


Acho que essa é a geração "peter pan" ninguém percebe que os anos passam ou simplesmente aceitam que os ideais mudam. As pessoas não aceitam que os outros não querem levantar bandeiras ou carregar apitos, esses, na visão da rebeldia infantil, são os acomodados. São outros tempos, não vivemos a ditadura, não fomos para as ruas pedir pelas diretas, não fizemos nenhum movimento importante. A nossa revolução é silenciosa, a nossa mudança tem que começar dentro de cada um, os nossos sonhos tem que ser mais do que só ideal. Acho tão bonito alguém defender os mais fracos e na menor oportunidade foder com a vida de alguém porque a pessoa é mais frágil, porque a pessoa não escreve bem, porque a pessoa simplesmente não compartilha da genialidade que o infeliz acredita possuir.

É tão contraditório defender a bandeira e o lado do mais fraco, MAS jamais abrir mão do seu baseado. Ideologia pequeno burguesa. Vamos todos admitir que não somos isso? Vamos admitir que compramos discos e vinis enquanto quase ninguém tem acesso a livros, que rodamos ao lado do capitalismo, que movimentamos as engrenagens desse sistema fálido? Vamos viver lá fora e sair dessas salas pintadas de ideal envoltas em ideias. Vamos discutir essa crise no senado, vamos pensar sobre essas pessoas que estão nas ruas, vamos pensar em quem votar nas próximas eleições. Vamos ser efetivos ao invés de ridículos?

Esses últimos meses me tiraram anos em segundos. mas, é visível que acabou com mais de outras pessoas, a personalidade se dissolveu. um show do faith no more para quem não sabe quem é mike patton ou jamais ouviu falar do fantômas, um ingresso para segurar com unhas e dentes o que não percebe ser só uma mão no volante. pior do que se perder, é largar o controle da sua vida. perdi anos para manter a minha personalidade intacta, para defender o que acredito, para me manter fora dessa roda.

ontem me falaram "você ainda gosta". não tenho medo de afirmar que não. gosto de algo que não existe mais, de alguém que conheci há muito tempo atrás ou simplesmente de alguém mais interessante que fui capaz de inventar. o meu personagem era inteligente, tinha uma personalidade doce e ao mesmo tempo decidida, o meu personagem tinha coragem. o meu personagem nunca existiu e aquela pessoa não passou da projeção das minhas palavras. as minhas mais doces palavras entregues a ninguém. foi assim.

fim!



Segunda-feira, Novembro 02, 2009

ok computer

descer as ruas do centro, me sentir parte de um todo, acolhida pelas conversas sobre como preferimos segurar a ansiedade e assistir uma série só depois que todos os episódios já estiverem disponíveis. ouvir a única pessoa que tem permissão para me lembrar de tudo que ainda não aconteceu. registrar a cidade à noite pelos meus olhos, fotografar cada pedaço de um dia inteiro, sorrir das diferenças, encontrar velhos conhecidos, dividir a mesa do meu bar de sempre com novas pessoas...

e no fim, me recolher com o melhor cd de todos os tempos, me guardo com a minha banda preferida e os fones de ouvido que me permitem ouvir cada pedaço de cada pequeno acorde ou instrumento usado para modificar o que todos absorvem. a angústia sorri na janela, faz tempo que a euforia e a falta de tempo, o pequeno espaço entre descanso e trabalho, entre obrigação e diversão, as faltas do silêncio, da casa vazia, a falta do escuro e da cabeça desligada. as faltas que que não me deixavam ver além do próximo instante. de repente: uma pequena sensação de paz. a minha paz é diferente, misturo a felicidade com o nó na garganta da incompreensão. penso em como tudo ainda é tão complicado, como quase ninguém entende enquanto sussurro ao invés de gritar. falo baixo, para dentro, de dentro saindo aos poucos para fora, falo rápido quando quero me livrar dos pensamentos. escrevo mais quando não entendo a reação dos meus medos. queria a diversão, queria estar rodeada de pessoas queridas, queria não parar e assim ficar sem a angústia. quis isso por muitos dias, hoje agradeço ter a casa vazia, a lua linda pela janela e a lente me lembrando que estive com ela o dia inteiro.


it's always best when the light is off. it's always better on the outside...

Domingo, Outubro 25, 2009

'Noite

Gosto de sentir o céu entrando pela janela, o escuro e as luzes artificiais. Ah, a noite. Gosto de sentir a necessidade de ser senhora do meu tempo enquanto carrego os meus sonhos. Deixo o sono ao lado e o cansaço quase não aparece. Passo em restaurantes durante a madrugada, refaço a rota dos bares, desfaço o certo e errado enquanto meus amigos pedem coco verde no boteco. Fico atenta a passantes que podem ser pessoas geniais embora não me preocupe com tantas histórias, me interessa a verdade, os olhos brilhantes e a certeza de que esse é só o meio, o fim está além daqui, milhares de anos que preencheremos com arte, com literatura, com música. Gosto de sentir o coração dessa cidade pulsando nas minhas mãos.

Atravesso a madrugada coberta pelo o imediato, canto alto as músicas que escreveram o que eu sou, guardo na bolsa o que acaba com os meus pulmões enquanto filtra a minha ansiedade. Me revelo enquanto tropeço nas calçadas da augusta. Passo em frente do Bahia e vem um filme, tantos momentos regados a conversas ao lado daquela sinuca. ontem fui naquele nosso novo velho bar de sempre, ele continua vazio e com nome de escritor. Sinto tantp a sua falta nas minhas mesas, me segurando para não atravessar sem olhar e encontrando no meio de tudo que eu simplesmente não quero mostrar, o melhor de mim.

As horas passam, os passarinhos anunciam um novo começo, é hora de dormir.

Quinta-feira, Outubro 22, 2009

"ser ou não ser?"

Quantas são as pessoas que sabem tudo aquilo que escondo (até de mim)? Quem seria capaz de tranquilizar os meus medos enquanto traduz no silêncio alguma paz? Me encontro e me perco nas palavras. Vivo nessa roleta russa maluca, a cidade sempre correndo, os meus olhos sorrindo para pequenos acontecimentos do dia-a-dia enquanto as pessoas tratam de transformar a simplicidade em uma equação complexa demais. Não quero ser injusta e nem fazer o papel de Deus, quero o fim dos julgamentos pré-estabelecidos pelo certo e errado dos outros. Deixa a janela aberta, fecha a porta e destrói.

Me conta do seu sonho da noite passada, de como tudo era há exatos dez anos, admite que as projeções falharam e o que de melhor aconteceu na sua vida chama acaso. Me faz acreditar em tudo de novo, mesmo que por algumas horas, faz do mundo lá fora só figuração da cena que você desenha aqui dentro, me transforma em palavras enquanto eu me ocupo com alguma outra coisa. Me questiona sobre as minhas pequenas teorias, me coloca na parede e me transforma em verdade enquanto te levo para fora do que acostumou, do que cansou, de quando era só mais alguém.

Me deixa ser menina, garota, mulher. Aceita certas fraquezas para conseguir reconhecer a força. Constrói, descontrói, faz, refaz, desfaz... Nesse jogo sem regras, o começo pode ser o melhor fim.

Terça-feira, Outubro 20, 2009

"perder-se também é caminho"



me sinto presa em um espaço/tempo que não me interessa. o presente está mais sem graça do que o passado e o futuro próximo também não promete nada demais. os grandes planos, os sonhos maiores, a simplicidade só deve chegar depois do fim desse ano e no fim dos planos. sinto falta de ter tempo para ficar descobrindo nuances na arte dos outros, procurar uma cor no escuro de uma alma enigmática, perdi tanto tempo buscando algo no vazio, devo ter perdido outros sorrisos, outros olhares, devo ter perdido e me perdido. penso naquele abraço simples, no som que você fez ao sentir o cheiro do meu pescoço e de como as suas mãos se prendem as minhas para me dizer, sem palavras, que está prestando atenção. fazia um tempo que não queria alguém, que todos não passavam de uma mera conquista para quem eu dedicava uma dúzia de palavras e alguns sorrisos. aqueles que duram os intantes de uma noite e que me fazem acordar querendo sair de lá, o que me interessa em você é justamente o que ninguém vê.

são poucos reais que me levariam direto para o meu paraíso, sentir calor na bahia, dormir na rede na casa dos meus avos e acordar com o cheiro bom daquele estado que me tira desse estado de cansaço. e a minha vida? tudo aqui, acontecendo, correndo, me pedindo para ficar e me segurando na porta. é o preço que eu pago para sonhar. fique em são paulo, minha querida, mais um dia.


ps. Clarice no título



Domingo, Outubro 18, 2009

if you close the door, the night could last forever


Acordo bem quando não me lembro de ontem, não existe nostalgia e a ressaca nem se quer incomoda. Ainda existem os pequenos medos que não assumo para mim, os que falo para os amigos e os que mantenho longe dos meus pensamentos. Ainda existem coisas que incomodam e, a vontade de conhecer esse outro mundo. Tenho medo de você porque é a sua inteligência que me interessa e, é justamente isso que me preocupa. Diferente de todas as outras vezes admiro só a inteligência de alguém e, tento (em vão) me desprender de todo o resto, quero esquecer o que só parece e tirar de tudo só o que as palavras podem me mostrar, quero seguir ao lado do seu rio, jogar pedrinhas na água e sorrir enquanto você divaga sobre uma nova filosofia extraterrestre-do-mundo-virtual-interplanetária-do-subsolo-da-literatura-grega-iluminada-pelo cinema moderno-com as músicas da bulgária, quero te ver fazendo pouco sentido e se encontrando nessas frases desconexas.

Quero te ver dormindo, cobrindo o rosto com as mãos enquanto tenta se fechar em si, te olhar brincando com os gatos, descobrir um dos seus medos profundos e traduzir as suas palavras em textos maiores, em outros fragmentos, em novos momentos.

Quero transformar o passado em doces lembranças e, acabar com o amargo que ainda aparece na minha boca. "cansei de chorar feridas que não se fecham, não se curam".


ps: o título é velvet e a última frase é da pitty em homenagem ao gordinho-que-me-deve-uma-dose-de-whisky.